Muitas mulheres tem um sonho profissional, querem crescer na carreira...eu não! Nunca tive um sonho profissional. "Ah, quero ser uma publicitária bem sucedida, trabalhar numa agência..." Não.
Sabe qual foi sempre meu sonho? Ser mãe!! Mãe mesmo, em tempo integral. Viver pra isso!
Então, desde que eu casei queria um baby, mas sabia que tinha que esperar um pouco para o casamento se firmar, passar a crisezinha de 1 ano (momento de adaptação) para poder fabricar um.
O tempo passou e com 2 anos e pouco de casados liberamos a fábrica. Primeiro mês nada, segundo nada, terceiro nada, sexto nada... Comecei a ficar com um medinho! Será que temos algum problema?! (obvio que 6 meses é super comum. Se você está tentando é normal algumas mulheres demorarem mais que outras). Então fui na médica e falei disso e ela me deu um remédio para ovulação, pois com meus ovários policísticos eu não sabia quando ovulava e não era todo mês.
Tomei o tal remédio e pronto (não sei quanto tempo demorou) engravidei! Meu marido que viu o resultado do beta. Engraçado que nessas horas você fica "180 é maior que 1?! 180 é maior que 1??" , meio sem acreditar e querendo ter certeza antes de comunicar!
Nossa, choramos tanto! A família toda feliz, meu marido todo bobo (também queria muito um baby), felicidade geral.
Fiz 2 ultras e estava tudo bem. Fui para terceira ultra não muito tranquila, pois tinha feito minha mudança, obvio que sempre pegamos uma coisa aqui, outra ali e nessa levei um choque elétrico, em uma tomada. Depois desse choque elétrico (que foi pequeno) não fiquei tranquila. Então fui para terceira ultra com o coração na mão, morrendo de medo. Quando o médico começou a fazer a ultra ela passava direto pelo coração, não falava nada e eu não vi o coração piscando , como fica sempre quando está batendo. Então perguntei se estava tudo bem , ele aproveitou o gancho, pois acho que estava pensando em como iria me comunicar, e disse que não. Eu perguntei se o coração não estava batendo e mais uma negativa, não. O coração já havia parado a umas 2/3 semanas! (eu estava com umas 13) Nessa hora fiquei em choque! Fiquei parada olhando para a tv, sem chorar, sem falar, nada! Depois de uns segundos ou minutos, comecei a chorar, graças a Deus eu estava com minha mãe, minha irmã e minha vó.
Foi um sentimento muito ruim, uma dor que rasgava meu peito! Seu grande sonho, acabado!! Como se tivessem tirado tudo de você! Como vou contar pro gui no trabalho? Como vou comunicar nossa família e amigos??
Liguei para meu marido e só falava: "Ele morreu mô, ele morreu!" e ele veio correndo para casa. Avisei meu pai e umas amigas que sabiam que eu ia para ultra.
Meu médico já marcou a curetagem para o dia seguinte, no melhor lugar do mundo para quem perdeu um nenem: Perinatal ( o hospital que eu teria o nenem). Nesse dia dormi nos meus pais e fomos cedo para o hospital. Eu só sabia chorar, estava meio em estado de choque.
Quando entramos subimos para o quarto e passamos pelo berçário eu comecei a chorar muito. Gui também estava chorando muito. O maqueiro chegou e no corredor aquele chorinho bom de nenem rescem nascido e obvio eu chorando junto. Mas Deus é muito bom! Logo uma enfermeira fofa me recebeu no centro cirúrgico e ficou puxando assunto e disse: "Deus sempre tem o melhor!" (Ele sempre coloca um anjo ao nosso lado!)
Ao entrar na sala de cirurgia meu médico ficou brincando e descontraindo também. O procedimento foi um pouco mais demorado pois ele quis fazer com muito cuidado.. Voltei para o quarto meio "grogui" ainda e minha família estava lá para me receber e dar suporte.
Mais tarde interfonaram que a sogra da minha irmã estava subindo. Fiquei pensando porque ela iria me visitar? Foi a melhor visita de todas! Mais um anjo de Deus.
Ela entrou no quarto e foi direto falar comigo. Como os olhos cheios de lágrimas, ela segurou minha mão e disse que sabia o que eu estava passando que ela já havia perdido um nenem também e que quando isso aconteceu a mãe dela deu um anel par ela que o nome era "esperança" (obvio que eu estava aos prantos), que a mãe dela havia dito para ela que depois de um ano ela teria outro nenem e foi quando a primeira filha dela nasecu. Ela disse que não poderia falar o mesmo pra mim, pois Deus não havia falado isso pra ela, mas que ela achava que o aborto espontâneo era uma coisa boa, pois o corpo está mais preparado para receber um nenem.
Depois de tantas emoções vinha a parte chata: fazer 300 exames para tentar descobrir o que aconteceu! Fui em vários laboratórios fazer diversos exames de sangue, pois cada um cobria um exame (super caros). O resultado saiu e descobri que tinha uma mutação genética MTHFR C677T (depois escrevo mais sobre ela em outro post) e além disso uma incompatibilidade com meu marido , não de Rh, mas imunológica. Mas o detalhe disso tudo foi que fui em 6 médicos hematologistas e imunologistas e todos falavam que eu não tinha nada!! Mas o querido Dr Google falava que sim!! Fiquei revoltada com a resposta incompetente deles!
Depois de 6 tentativas e nada de resposta, fui a uma imuno indicada pela minha tia e ufa, ela sabia o que eu tinha!! Me explicou direitinho e realmente era isso, a mutação e a incompatibilidade. Mas tudo seria resolvido. Para mutação era só fazer uso de heparina (anticoagulante) na gestação e para incompatibilidade ela disse que poderia fazer uma injeção com o sangue do meu marido, mas como eu já havia tido um aborto talvez essa gravidez já tinha sido o suficiente.
Fiquei tranquila mas ao mesmo tempo chateada. Como poderia ter uma incompatibilidade com meu marido?! Nesse momento tive uma discussão com Deus! (alguns não vão entender isso) "Senhor, como posso ter uma incompatibilidade com meu marido? Foi o Senhor que me deu ele, o Senhor que disse que ele era a pessoa certa! Eu não aceito ter isso!!! Se realmente eu tiver alguma coisa, me cura! Tira essa incompatibilidade!!" Orei chorando e pedindo para Deus para que aquilo não existisse mais.
Então voltamos para o jogo e novas tentativas! Então no dia 10 de outubro de 2011 descobri que estava grávida da minha primeira princesa Helena!! E no próxima post conto da gravidez da Helena, os medos, as injeções, para esse post não ficar muito grande.
Bjs
Karina

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